Uma Chilena nas Gerais.

A Águia-chilena (Geranoaetus melanoleucus) é um grande rapinante, chegando próximo a 2 metros de envergadura, e mostra-se bastante imponente nos céus da Canastra. Mesmo antes de ir pra lá, lendo as dicas dos amigos e vendo as fotos postadas na região (pelo WikiAves) eu criei bastante expectativa de vê-la. E ela foi umas das primeiras que se mostrou! Logo que chegamos no Parque e conversava com os Guardas, uma passou voando bem baixo sobre a portaria. Foi impressionante, mas nem deu tempo de pensar em pegar a maquina. Bom, ali já percebi que não podia marcar bobeira e que muita coisa iria passar na nossa frente. Os guardas me mostraram o ninho dela, que fica em um enorme paredão de rochedo ao lado da portaria e algumas vezes era possível vê-la pousada numa arvore.


Assim que subimos a portaria o Amigo Eduardo Veríssimo anunciou em sua carta-roteiro-guia mais um ponto onde seria possível vê-la. Dito e feito… ficamos um bom tempo observando-a voar, vocalizar, peneirar e fazer mergulhos no solo.

Foram muitas as vezes que a vimos no parque. Sempre rodando nos lugares comentados. Mesmo que de longe sua presença era marcada. Praticamente a vimos todos os dias!

Numa tarde, quando estávamos indo embora do Parque havia uma que vocalizava muito, era impressionante a potencia e o tempo que permaneceu vocalizando. Mas vê-la não era tão fácil, pois muitas vezes estava bem longe. Minha idéia era de “fazer um tempinho” na Portaria para ver se conseguia fotografá-la. Ouvia a vocalização muito de longe, mas da Águia nem sinal.

Logo a frente da Portaria há um morro que funciona como um mirante, já que o lugar é uma Serra e logo na frente dele tudo é muito amplo. Este morro fica de frente ao paredão onde a Águia mantém seu ninho. Prossegui subindo o morro, até porque por ali habita o Campainha-azul. O morro é bem inclinado e todo lajeado, o que dificulta andar, ainda mais com um tripé! Neste caminho vi algumas andorinha (que não me recordo qual) e o Sanhaçu-de-fogo que deu uma pausinha breve em um arvoredo.

A vocalização da ave havia cessado. Mas assim que comecei a subir este morro a vocalização voltou com intensidade e quando dei conta a Águia-chilena estava vindo em minha direção. Mal conseguia me equilibrar no trecho da trilha, ajustar o tripé e a maquina foi algo bem mais complicado. Ela veio muito próxima e ficou rodando sobre minha cabeça, consegui fazer alguma fotos, mas boa parte do tempo eu fiquei observando sua beleza. Seu tamanho, detalhes, vôo limpo… ..a sensação de interagir em um ambiente daquele é fantástico. Pela distancia que estava do ninho (centenas de metros) não imagino que pudesse ser um ameaça ao filhote. Ela permaneceu piando e rodando e logo depois apareceu mais um individuo, que juntos sumiram no céu da Canastra.

Não consegui muitas fotos boas, pois tive muita dificuldade em ancorar parte do tripé naquela trilha cheia de pedregulhos, além da inclinação do morro e da velocidade da ave. As cenas mais bacanas estão comigo, guardadas junto do anseio de voltar a vê-la neste lugar tão especial, a Serra da Canastra. Algumas fotos não “couberam” a ave no sensor!!!

A Águia-chilena ocorre em quase todo o Brasil, com exceção da região Norte. É possível ver fotos dela tanto no Rio Grande do Sul como no Ceará. Ocorre também na Cordilheira dos Andes até o sul da Argentina. Esta espécie costuma fazer sempre o uso do mesmo ninho, por isso a possibilidade de vê-la aumenta quando já se observou ela nidificando em algum local. No Brasil, seu status de conservação é pouco preocupante, embora em algumas regiões, como o RS e SC a ameaça é eminente, e a espécie encontra-se em estado de vulnerabilidade.

Sendo uma ave deste porte e que necessita de um espaço relativamente grande como habitat, me pergunto sempre qual será o teu futuro. Nossas gestões políticas ainda insistem em manter o sistema de beneficio próprio. Neste caso especifico, o deputado federal Carlos Melles (DEM-MG) quer diminuir a área do Parque Nacional da Serra da Canastra em 24%, tornando este espaço passível de atividades econômicas até então proibidas pela leis de proteção ambiental. A coincidência disso tudo é que o tal deputado possui uma propriedade de 254 hectares em Delfinópolis, que fica entre os Vales da Curita e da Babilônia, e esta região seria uma das contempladas pelos projetos de leis de sua autoria (1.448/07 e 1.517/07).

Achou coincidência demais!!!!! …assine o abaixo-assinado contra este projeto, afinal legislar em causa própria é ser pouco liso!

Quer saber mais sobre este projeto de lei, leia este post do Noblat .

Abraços e um 2012 muito melhor para a Natureza do que foi este 2011.

Vinicius Pontello

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5 pensamentos sobre “Uma Chilena nas Gerais.

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